Quando falamos sobre rotina na primeira infância, é comum que alguns pais e mães se sintam pressionados, como se estivéssemos falando de uma agenda rígida, cheia de horários inflexíveis e regras duras. Mas não é disso que se trata.
A proposta aqui é outra: trazer uma nova perspectiva sobre a importância da previsibilidade – não como controle, mas como acolhimento.
Para um bebê, o mundo é novidade. Cada som, toque, luz, cheiro… tudo é estímulo, tudo é aprendizado. Nesse cenário de tanta novidade, a rotina surge como um porto seguro. Uma forma silenciosa de dizer:
“Você está seguro. Eu sei o que você precisa. Pode confiar.”
Inspirada na abordagem de Magda Gerber, acredito que oferecer uma rotina consistente é um dos maiores presentes que podemos dar aos nossos filhos. Não porque queremos moldá-los, mas porque reconhecemos a sua necessidade de segurança emocional.
E segurança, para os pequenos, se constrói com repetições gentis, com momentos previsíveis, com interações conscientes.
Um bebê que sabe que depois da mamada virá o momento do banho…
Uma criança pequena que já reconhece a ordem do dia – brincar, almoçar, descansar…
Um pré-escolar que participa das pequenas transições com naturalidade, porque elas fazem parte do seu cotidiano…
Tudo isso contribui para o desenvolvimento de uma criança mais confiante, cooperativa e conectada com o ambiente ao seu redor.
Rotina não é prisão.
Rotina é liberdade para a criança explorar o mundo sem medo.
Porque ela sabe que, ao fim de cada aventura, há previsibilidade, cuidado e amor esperando por ela.
E claro, a vida acontece. Há dias fora do script, viagens, doenças, contratempos. E tudo bem!
Não se trata de perfeição, mas de constância.
De mostrar, dia após dia, que existe um adulto ali presente, atento e disponível.
Se existe uma rotina que importa, é a rotina da relação.
Presença, escuta, respeito. Todos os dias.

