Validar não é concordar – é conectar

Uma das maiores necessidades humanas é a de ser compreendido.
E isso começa muito antes das palavras.

Quando uma criança chora, grita ou se joga no chão, o que muitas vezes vemos é apenas o comportamento. Mas por trás dele, existe uma emoção.
E toda emoção quer apenas ser vista. Quer ser validada.

Segundo a abordagem RIE, fundada por Magda Gerber, validar não é concordar. É reconhecer o que a criança sente, mesmo quando não aprovamos o que ela faz.
“Você está com raiva porque eu disse que não pode.”
“Você queria muito aquele brinquedo e está frustrado.”
“Eu sei que está difícil esperar.”

Essas frases não resolvem o conflito na hora, mas fazem algo muito mais importante: mostram à criança que o sentimento dela é legítimo.
E quando ela sente que é compreendida, seu corpo relaxa. O cérebro volta a se reorganizar.
A conexão se restaura.

Validar os sentimentos é ensinar que tudo o que sentimos pode ser sentido – mas que nem tudo pode ser feito.
E é justamente essa diferenciação que ajuda a criança a construir autocontrole e empatia, com o tempo.

A ausência dessa validação, por outro lado, envia mensagens silenciosas:
“Você está exagerando.”
“Não é pra tanto.”
“Pare de chorar.”

Essas frases, mesmo ditas com boa intenção, comunicam à criança que sentir é errado, e ela começa a guardar suas emoções, a duvidar delas.
Com o tempo, isso se transforma em adultos que não sabem nomear o que sentem, que acham que precisam “ser fortes” o tempo todo, e que têm medo da própria vulnerabilidade.

Quando validamos, dizemos:
“Eu te vejo.”
“Seus sentimentos importam.”
“Você pode ser quem é, mesmo agora, no meio do choro.”

E é nesse espaço de aceitação que nasce o verdadeiro vínculo. Aquele que não depende de sorrisos, mas de presença.

Validar os sentimentos não é apenas uma ferramenta educativa.
É um ato de amor.
É ensinar às crianças, desde cedo, que tudo o que é humano é bem-vindo.

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